Em sala de aula e na orientação acadêmica aparecem, de forma recorrente, dois perfis de alunos.
O primeiro é o aluno que aceita naturalmente a liderança do professor. Ele reconhece que o professor tem mais experiência, mais repertório e já percorreu caminhos que ele ainda está começando a trilhar.
Essa relação tende a ser tranquila. Com o tempo, esse aluno desenvolve autoliderança, ganha autonomia e passa a caminhar com mais independência.
O segundo perfil é diferente. É o aluno que não aceita a liderança do professor e tenta disputar poder. Em vez de aprender dentro da relação, entra em uma espécie de competição simbólica com quem está orientando.
Quando isso acontece, a relação tende a travar.
Existe, porém, um caminho mais produtivo.
A relação acadêmica funciona melhor, nesse caso, quando o aluno assume uma postura de parceria. Quase como um sócio intelectual no processo de construção do conhecimento.
Só que parceria não significa ausência de hierarquia.
O professor não é um funcionário qualquer dentro dessa relação. Ele ocupa uma posição construída por anos de estudo, pesquisa, erros, acertos e experiência acumulada. Isso naturalmente cria uma hierarquia de conhecimento e responsabilidade.
Quando o aluno entende isso, a relação muda.
Em vez de disputa de poder, surge colaboração.
Em vez de tensão, surge aprendizado.
E aí a orientação deixa de ser um campo de batalha e vira o que deveria ser desde o início: um espaço de crescimento intelectual conjunto.
