Recentemente vi algo que, dois anos atrás, seria inacreditável.
Um anúncio de curso prometia aos alunos programar a IA para que ela fizesse toda a sua dissertação.
O que ficou rodando na minha cabeça nem foram as questões éticas disso, mas o próprio fato.
Então, é possível que o computador faça praticamente sozinho uma dissertação?
Vamos partir do princípio de que esse tipo de trabalho seja aceito e possível. Quais seriam as consequências disso para a profissão de pesquisador?
Por um lado, poderemos ter um aumento gigantesco no número de pesquisas realizadas.
Por outro, poderemos ter o desaparecimento de muitas vagas de trabalho.
Se é possível fazer as mesmas pesquisas em menos tempo, em maior quantidade e com menor custo, é plausível dizer que poucos pesquisadores seriam necessários para produzir uma quantidade satisfatória de conhecimento.
Claro que há muitas discussões sobre a qualidade das pesquisas feitas dessa forma. No entanto, diante da evolução exponencial da tecnologia, não parece arriscado apostar que até mesmo essa questão será resolvida.
Isso não parece ser uma onda que pode ser freada. Some-se a isso a grande crise pela qual passam as universidades no Brasil, e até no mundo, e teremos um cenário de tempestade perfeita.
As crises demandam mudanças. E parece que entramos em uma fase de seleção natural, em que os mais bem adaptados sobreviverão.
A questão que ainda não está clara é: mudar o quê? Manter o quê?
