A música é uma fonte de experiências. Ouvir determinados artistas pode fazer com que consumidores sintam as mais variadas sensações. O forró pode gerar um clima festivo enquanto o rock pode despertar adrenalina, por exemplo. No entanto, pode acontecer também de nenhuma dessas sensações ser despertada, dependendo de quem que ouve o som. Em termos de experiência, há sempre um fator de variabilidade como diz poeta: “pode acontecer tudo, inclusive nada”.
Tal variabilidade acontece devido ao caráter relativo da experiência do consumidor. Como já disse anteriormente, diferentes contextos influenciam diferentemente as experiências e o mesmo acontece com as características individuais, isto é, uma mesma situação pode gerar efeitos diferentes em pessoas diferentes. O forró pode encantar alguns ouvintes e não chamar a atenção de outros.
A experiência varia de acordo com o consumidor
Esse exemplo fica mais interessante se imaginarmos um nordestino que não gosta de forró. Aqui o contexto poderia ter influenciado decisivamente com a cultura e as diversas festas juninas impulsionando o indivíduo a ter uma experiência positiva com esse tipo de música. Por outro lado, as características pessoais podem dar outra orientação ao fenômeno, como são as que mencionarei a partir de agora.
Um primeiro aspecto individual que posso mencionar é a história pessoal. Cada pessoa tem uma história particular, um conjunto de vivências únicas que fazem parte da memória e se reflete no comportamento. Imaginem que alguém possa ter vivido festas juninas muito problemáticas, porém tenha tido contato com festas roqueiras muito animadas. O forró pode ficar em segundo lugar no gosto desse indivíduo.

Um segundo aspecto tem a ver com o gosto, são os interesses. Alguém naturalmente se interessa mais por algumas coisas do que outras. Digamos que nosso personagem que não gosta de forró tem um interesse muito grande pela cultura americana, seus artistas e estilos, como o rock. Sua natural aproximação por esse estilo pode tornar o forró desinteressante por ser algo muito diferente.
Existem características relacionadas a preferências sensoriais, isto é, os cinco sentidos: audição, tato, paladar, olfato e visão. Digamos que nosso personagem tenha um ouvido que sinta muito prazer com tons graves e não aprecia os tons agudos. O rock com suas guitarras que imitam sons graves, como grunhidos de animais, pode despertar interesse especial; já o forró com seus tons agudos, guitarras sem distorção e vocais estridentes podem não ter o mesmo apelo sensorial.
Os objetivos e capacidades também podem interferir no nível pessoal. O forró combina muito bem com danças em pares e, claro, para dançar é preciso ter a habilidade de se movimentar coordenadamente. Mas imaginemos que nosso personagem não tem objetivo de dançar no momento e nunca aprendeu a se movimentar musicalmente, logo ele poderá preferir o rock que não exige tanta coordenação motora e que pode apenas admirar o som, sem precisar de nenhuma técnica de dança específica.
