Quem nunca procurou um lugar “instagramável” para tirar uma foto e depois compartilhar para os amigos verem? Os registros fazem parte de nossas vidas e há uma razão especial para isso: geram sensações que apreciamos. Não só o registro em si, mas a lembrança, o compartilhamento e assim por diante. Isso tudo pode ser utilizado pelas organizações para estimular experiências interessantes para seus consumidores.
Neste texto o ponto de partida é a explicação sobre as noções de registrar e recordar nas experiências. Na sequência, falo mais sobre as manifestações dos valores experienciais de registro. Por fim, mostro como podemos inovar com base nas informações sobre os valores.
Este texto faz parte do Projeto Bons Momentos, que tem por objetivo compartilhar para a comunidade insights sobre experiências memoráveis. A fonte de dados desse material vem de reflexões sobre o São João de Caruaru e Campina Grande. Elas têm como foco o valor experiencial, que permitiu identificar o que de fato marcou e foi considerado como valioso pelas pessoas que visitaram a festa. O método de pesquisa de mercado Mapeamento de Valor Experiencial (MVE) foi utilizado como apoio para fazer essas reflexões. Você pode saber mais sobre o projeto clicando aqui.
(Registrar e) recordar é viver
Quem nunca sentiu algo especial ao ver fotos que registraram momentos que vivemos? Os registros que fazemos parecem esticar nossas experiências e multiplicar as boas sensações.
Esses registros estão associados à tecnologia que possibilita a recordação. Hoje temos nos smartphones a possibilidade de gerar fotos, vídeos, áudios e textos facilmente. Tais registros ganham o mundo por meio das plataformas de mídia social, que estimulam as interações com outras pessoas.

A prática de registrar momentos acaba se tornando uma atração à parte. Os consumidores se tornam verdadeiros artistas ao tirar fotos, fazer vídeos, montagens, colocar legendas, dentre outras artimanhas. Isso tudo potencializa as experiências envolvidas com as recordações.
Nos próximos parágrafos, falo um pouco mais como os registros se tornam experiências memoráveis. Destaco aquilo que consegui perceber na festividade do São João.
O poder dos registros
Fazer registros é marcante. Os consumidores registram suas experiências por meio de vídeos, fotos, textos e áudios. Apesar de já fazerem parte do nosso cotidiano, essas práticas são momentos especiais que acabam fazendo parte da memória de quem as realiza.
O que parece estar por trás de tais práticas é fazer com que situações agradáveis sejam lembradas e compartilhadas. Sendo assim, a experiência de fazer registros está conectada com outras práticas marcantes. No São João é possível notar as pessoas fazendo fotos da decoração, de si mesmas, de amigos, vídeos dos artistas se apresentando nos palcos, entre outros.
Uma vez tendo feito o registro, outra prática marcante é compartilhar esses registros. Um dos grandes objetivos de se fazer registros é mostrar a outras pessoas por meio das plataformas de mídia social.
Uma vez tendo compartilhado o registro, podem se seguir uma séria de interações entre quem compartilhou e quem está recebendo o conteúdo. Nesse momento percebemos a força do social. As plataformas tecnológicas são meros instrumentos para gerar fenômenos humanos, como interações, admiração, críticas, dentre outros.

Lembrar do que viveu também é marcante. Os registros também servem para as pessoas lembrarem do que viveram. Os consumidores parecem querer guardar os momentos especiais para sempre e os registros ajudam nisso.
Sendo assim, após a experiência ter acontecido, é comum que as pessoas revejam fotos e vídeos para lembrar e sentir sensações agradáveis similares às que sentiram durante os momentos registrados.
Essas lembranças podem vir acompanhadas por conversas. Nessa perspectiva, os registros são relembrados na presença de outras pessoas, seja presencialmente ou virtualmente. Isso gera conversas sobre tudo que foi vivido ou comentários a respeito daquela situação marcante. No São João, depois da festa acontecer, as pessoas chegam em casa e, com mais calma, observam as fotos e vídeos que fizeram pelo celular.
Por fim, momentos de nostalgia são marcantes. A nostalgia é uma maneira de relembrar o que viveu. Entretanto, a nostalgia está associada com lembranças mais distantes na linha do tempo e que rendem sensações diferentes das que descrevi anteriormente.
Levando em conta a tradição do São João, a nostalgia está associada com a lembrança de festas passadas na infância. Essas lembranças são revividas a cada elemento junino relacionado com elas, como, por exemplo, as comidas e as roupas típicas, a fogueira e, claro, as fotografias que fazem todos esses elementos serem refrescados na memória.
Inovar para os registros
Agora sabemos que o registro faz parte das experiências consideradas memoráveis e valiosas pelos consumidores, ou seja, é algo que eles desejam. A partir desse entendimento, torna-se possível imaginar diferentes formas de gerar inovações na festividade junina.
Uma primeira constatação que pode nos ajudar nessa tarefa é a de que existe um mundo midiático paralelo ao que as pessoas vivem presencialmente. As mídias digitais são abastecidas com uma infinidade de imagens e vídeos que trazem diferentes ângulos e elementos da festa.
Mais do que apenas fazer registros da festa, é possível estimular e criar dinâmicas dentro desse universo midiático junino. Os artistas da festa poderiam incentivar o uso de hashtags com os registros de seus espetáculos e isso ser compartilhado nos telões da festa, o que incentivaria ainda mais os registros. Quanto mais isso acontecesse, mais memorável seria a festa. Com isso, teríamos a manifestação de fazer registros e compartilhar registros da festa.
No entanto, como vimos, os registros têm uma vida longa, sendo utilizados para relembrar o que foi vivido até bem depois do período junino. Sendo assim, após a festa, poderiam ser criados museus virtuais populares. Esses museus seriam uma coleção de registros feitos pelas pessoas e guardados na internet de modo que pudessem ser acessados e compartilhados. Isso tornaria a festa marcante até mesmo meses depois do que foi vivido. Desse modo, teríamos o uso dos valores marcantes lembrar do que viveu e nostalgia.
Esse é um exemplo de como pode-se gerar e potencializar inovação por meio do estudo dos valores experienciais, como os registros.
Eu utilizei o método de pesquisa de mercado criado por mim, o Mapeamento do Valor Experiencial, para gerar essas informações. Saiba mais sobre o valor experiencial lendo meu livro: “O que os consumidores querem? Mapeando o valor experiencial”. Tenho um texto falando em mais detalhes sobre ele, basta clicar aqui para acessar. Ele está a venda e você pode adquiri-lo neste link aqui. Mas se deseja acessar a lista dos meus livros, acesse o link “Livros” no menu ou clique aqui.
Segue o resumo do livro abaixo:

O sucesso de uma organização pode ser medido pela sua capacidade de atender bem seus consumidores. Mas como atendê-los sem saber o que eles querem?
Walt Disney teve um insight que me guiou durante a redação deste livro: “Você não constrói nada sozinho. Você descobre o que as pessoas querem e constrói para elas”. Observando a história de Walt, é possível notar que um dos segredos do seu sucesso vem da obsessão por saber o que se passa na cabeça e no coração dos consumidores.
Este livro traz um método que ajuda nessa missão. Chama-se Mapeamento de Valor Experiencial e é capaz de gerar, organizadamente, informações claras sobre as demandas dos consumidores.
O método se fundamenta em seis noções que guiam o processo de coleta e análise de dados. Ao fim do mapeamento, é possível entender não só os benefícios utilitários esperados pelos consumidores, mas também as reações experienciais envolvidas, como as emoções. Além disso, dados referentes aos porquês do consumo, às características pessoais dos envolvidos e ao contexto de suas vidas ficam evidentes.
O Mapeamento de Valor Experiencial é um método testado e que demonstrou sua capacidade de gerar resultados úteis. Ele é apresentado de maneira organizada, em linguagem simples, sem exageradas complicações acadêmicas. O conteúdo conta com alguns quadros e muitos exemplos para otimizar a compreensão do leitor. Além disso, inclui exemplos de aplicações do método, como entrevistas, que ilustram como utilizar os procedimentos indicados.
